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terça-feira, 13 de outubro de 2009

Freud e o Desenvolvimento

FREUD E O DESENVOLVIMENTO

Para Freud, o desenvolvimento humano e a constituição do aparelho psíquico são explicados pela evolução da psicossexualidade.

Estádios de Desenvolvimento:

Estádio Oral (0-12/18 meses):
O ser humano nasce com id, isto é, um conjunto de pulsões inatas;
O ego forma-se, no primeiro ano de vida, de uma parte do id que começa a ter características próprias.
O estádio oral é constituído por um período em que a criança é muito passiva e dependente e outro, em que a criança é mais activa e pode mesmo morder o seio ou o biberão. O desmame corresponde a uma frustração que vai situar a criança em relação à realidade do mundo.



· Estádio Anal (12-18 meses 2/3 anos):
o A maturação e o desenvolvimento psicomotor vão permitir à criança reter ou expulsar as fezes/urina no estádio anal.
o A zona erógena é a região anal e mucosa intestinal. A estimulação dá prazer mas as contracções musculares podem provocar dor, o que cria uma ambivalência.
o A criança é mais autónoma.
o A ambivalência existe também na forma como a criança hesita entre ceder ou opor-se às regras de educação.

· Estádio Genital (dps da puberdade):
o Vai reactivar a sexualidade adormecida durante o período de latência. No estádio genital retomam-se as problemáticas do estado fálico, como o complexo de Édipo.
o A puberdade traz novas pulsões sexuais genitais.
o O adolescente autonomiza-se da família.
o Alguns adolescentes, regridem a fases anteriores. Através do ascetismo, o adolescente nega o prazer, através de disciplina e isolamento. Pela intelectualização ou racionalização, procura esconder aspectos emocionais do processo adolescente.


Id - constituído por todos os impulsos biológicos como a fome/sede/sexo, que exigem satisfação imediata. É o fundamento da sobrevivência individual ou da espécie.

Ego - é o elemento decisor dos conflitos travados entre o id e o superego. Constitui o fundamento da personalidade humana. Desenvolve-se à medida que a criança vai experimentando e se vai apercebendo de privações e recusas do mundo exterior. Orienta as pulsões de acordo com as exigências da realidade. Tem um papel de árbitro na luta entre as pulsões inatas e o meio. Conta com a ajuda de mecanismos de defesa.

Superego - constituído por um conjunto de regras e de proibições impostas primeiramente pelos pais e depois pela sociedade.

Psicologia do Desenvolvimento


A psicologia do desenvolvimento acompanhou a evolução da ciência e das transformações sócio-económicas, bem como das representações sociais do que é ser criança.

O CONCEITO DE DESENVOLVIMENTO

A situação contraditória – tens muito em comum com os outros, tens muito de diferente em relação aos outros – revela a complexidade do desenvolvimento.

No processo de desenvolvimento que se inicia na concepção e termina na morte, estão envolvidos múltiplos factores: biológicos, cognitivos, motores, emocionais, linguísticos, sociais…

Numa perspectiva dinâmica e abrangente, o ser humano terá que ser encarado como um sistema aberto, em que todos os aspectos interagem: o meio natural e a família, os amigos, o grupo de vizinhança, a escola, a comunidade.

Existem contextos que influenciam activamente os percursos da nossa vida: a mudança de terra/casa, doença, morte, divórcio…

Uma questão que se pode levantar é o problema da existência ou não de períodos críticos, isto é, de etapas limitadas de tempo durante as quais o organismo é sensível à estimulação do meio.

CONCEPÇÕES SOBRE O DESENVOLVIMENTO

Maturacionismo (Gesell) - os comportamentos sucedem-se numa ordem sequencial, inalterável, que reflecte uma programação interna idêntica ao crescimento. O desenvolvimento e a maturação são hereditários. As diferenças entre os indivíduos relacionam-se com as diferenças inatas. O meio e as experiências vivenciadas têm pouca importância.

Behaviorismo (Watson) - os factores do meio e da aprendizagem são os que determinam o comportamento.

Construtivismo (Piaget) e Teoria Psicossocial (Erikson) - valorizam os factores maturativos e socioculturais.

Psicanálise (Freud) - embora privilegie o potencial inato e maturativo, considera importante a forma como o sujeito vivencia os aspectos relacionais, sobretudo os desenvolvidos na infância.

A dinâmica entre o organismo e o meio é uma realidade – o indivíduo é uma unidade biopsicossocial.

Psicanálise


Sigmund Freud viveu entre 1855 e 1939. Licenciou-se em medicina na Universidade de Viena, com especialização em histologia e neurologia. Freud interessava-se por pesquisa científica e começou a trabalhar no laboratório do neurofisiologista, em Brucke. Mais tarde, Freud abandona o laboratório e começa a trabalhar no Hospital Geral de Viena, onde conhece Josef Breuer, um médico que fazia terapia a mulheres que sofriam de histeria. Por esta altura recebe uma bolsa de investigação para ir trabalhar com Charcot, psiquiatra no hospital Psiquiátrico de Salpétriêre, em França, no estudo da histeria e na utilização da hipnose (estado mental transitório, que se assemelha a um estado de sono e que é caracterizado pela ausência de reacção aos estímulos do meio ambiente e a uma ausência de iniciativa comportamental) para o seu tratamento. Durante este período, Freud assistiu a demonstrações feitas por Charcot que, através do hipnotismo, conseguia eliminar os sintomas neuróticos das pessoas que os possuíam, tais como: cegueira, paralisia, alucinações e perda de controle motor. Através da mesma técnica, conseguia também induzir os mesmos sintomas em pessoas que não sofriam deles.
Freud regressa ao Hospital Geral, agora já considerado como especialista em neuropatologia, e começa a colaborar com Breuer no tratamento da histeria, que incluía massagens, terapia de repouso e hipnose.
Em 1895 Josef Breuer e Sigmund Freud publicam o livro Estudos sobre a Histeria onde descrevem casos clínicos reais. Um dos casos é o de Cecily, uma jovem de 21 anos a quem os médicos apelidaram de “Anna O” e que começou a manifestar sintomas neuróticos após a morte do pai. Esta jovem apresentou inúmeros sintomas característicos da histeria.
Com a evolução de sua experiência clínica, Freud compreendeu que os sintomas neuróticos são provocados por experiências sexuais, que ocorreram na maior parte dos casos durante a infância e defendeu que a satisfação sexual era a chave para a felicidade e equilíbrio emocional.
Após a morte de Jacob, seu pai, Sigmund Freud fica bastante abalado e começa também a ter uns sonhos perturbadores que, aos poucos, tenta analisar e compreender a sua origem, interpretando-os como realizações disfarçadas de desejos inconscientes. Surge assim a técnica da interpretação dos sonhos. Freud lança também um livro intitulado A Interpretação dos Sonhos.
Breuer não concordou com Freud nestes novos aspectos acabando por não o acompanhar mais no seu trabalho.
Novas técnicas e novos conceitos foram introduzidos por Sigmund Freud que se tornou num dos maiores responsáveis, no século XX, por uma mudança radical nas mentalidades da época. Inconsciente, pulsão (força de base biológica e inata que está na origem de toda a dinâmica psicológica), líbido (é a energia derivada da pulsão sexual), mecanismos de defesa do ego (comportamentos que representam as negações inconscientes ou distorcidas da realidade e que são adoptados com a finalidade de proteger o ego contra a ansiedade), Complexo de Édipo (desejo da parte da criança de possuir sexualmente o elemento parental do sexo oposto, enquanto exclui o outro elemento do mesmo sexo), estádios de desenvolvimento psicossexuais, associações livres (método no qual o paciente é encorajado a dizer o que sente, sem qualquer tipo de censura), análise da transferência (atitudes emocionais desenvolvidas pelo paciente em relação ao analista) e dos actos falhados (lapsos de linguagem ou de memória), sexualidade infantil e interpretação dos sonhos são então as novidades que Freud propõe e que formam instrumentos da Psicanálise, que é simultâneamente uma teoria, um método e uma terapia.
Enquanto teoria a psicanálise tenta compreender a personalidade humana em toda a sua complexidade fornecendo-nos uma perspectiva dos diferentes aspectos que a caracterizam: o aspecto dinâmico das forças ou pulsões que a fazem mover e dos conflitos que se estabelecem; o aspecto tópico, as zonas e estruturas que caracterizam o seu funcionamento; o aspecto económico, que se ocupa da gestão e investimento das energia pulsionais; e o aspecto genético que identifica os grandes momentos e transformações através dos quais o indivíduo constrói e estrutura a sua personalidade. A psicanálise abordou todos estes novos modelos conceptuais de uma forma bastante inovadora para a época. Alguns foram pela primeira vez propostos por Freud, tais como a importância dos processos inconscientes, o papel da sexualidade e o relevo dado à infância na formação da personalidade. Segundo o fundador desta teoria, toda a dinâmica psicológica e afectiva tem por base tendências inatas, as pulsões ou instintos, nomeadamente sexuais, que conduzem o indivíduo para actividades que cabem com essa tensão, gerando prazer. A sexualidade a que Freud se refere é toda e qualquer forma de conseguir prazer, desde o chuchar no dedo até à realização do acto sexual. Partindo da sua prática clínica, Freud propõe um primeiro modelo de funcionamento do “aparelho psíquico” _ “1.ª tópica”_ dividindo-o em duas áreas: o inconsciente e o consciente ou pré - consciente. Estas duas áreas comunicam através da “censura” que tem o papel de manter no inconsciente os materiais (afectos, representações, vivências) que possam chocar o consciente, este processo é denominado por “recalcamento”. Porém esta visão do psiquismo humano era incompleta e Freud acabou por criar uma “2.ª tópica” que o dividia em três instâncias: o id (constituído pelas pulsões; funciona segundo o principio do prazer), o ego (que regula o conflito entre as pulsões e as exigências da realidade exterior, através dos “mecanismos de defesa”; funciona segundo o principio da realidade) e o superego (formado pela interiorização das proibições impostas pela realidade exterior). Para a psicanálise a personalidade humana constrói-se através de várias instâncias que a compõem e da diversidade das formas de realização das pulsões. Freud dividiu esse desenvolvimento em várias fases, sendo cada uma delas identificada pela zona do corpo que provoca satisfação da sua pulsão _ zona erógena _ , através da sua estimulação. No primeiro ano de vida a zona erógena situa-se na boca _ fase oral; aos dois e três anos é a região anal _ fase anal; entre os três e os cinco/ seis anos a zona erógena centra-se nos órgãos genitais mas indiferenciados e representados simbolicamente pelo pénis _ fase fálica, é no decurso desta fase que a criança experiência o complexo de Édipo e dá-se a estruturação do superego; entre os seis e os onze/ doze anos a actividade pulsional abranda e dá-se uma “amnésia infantil” na qual as experiências afectivas anteriores sofrem um processo de “recalcamento” _ período de latência; na puberdade a actividade das pulsões volta a estar mais activa e as zonas de prazer voltam a ser os órgãos sexuais, mas agora diferenciados _ fase genital. Cada fase superas as anteriores integrando-as e unificando-as sob o ponto de vista da satisfação, mas por vezes a passagem à fase seguinte pode ser dificultada por uma “fixação” (excessiva gratificação) ou por uma “regressão” (a formas de satisfação típicas de uma fase anterior).
Como método a psicanálise começou pelo uso da hipnose, mas mais tarde acaba por prescindir deste e passou a recorrer a outras técnicas como as associações livres de ideias e a interpretação dos sonhos.
A terapia psicanalista começou com o objectivo de tornar o indivíduo consciente da vivência inconsciente que provocava a perturbação neurótica, porém isto era isuficiente. Então, só através a revivência e resolução do conflito anteriormente mal resolvido, que são feitos por “transferência” para o psicanalista, é que a cura se pode dar.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

FREUD- PARA ALÉM DA ALMA



http://www.youtube.com/watch?v=rK_soCE85HA


Filme pseudo-biográfico que retrata 5 anos na vida de Freud. Numa altura em que a maior parte dos psicólogos se recusavam curar os pacientes com histeria, porque acreditavam que estes pretendiam apenas chamar a atenção, Freud aprende a utilizar a hipnose com o objectivo de descobrir as razões dessa psicose. Interessa-se assim pelo caso de um rapaz cujo ódio pelo pai se transforma num amor incestuoso pela sua mãe, uma falha que Freud encontra nele próprio.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Interpretação dos Sonhos

“O sonho é a estrada real que conduz ao inconsciente”, escreveu Freud na sua obra-prima A Interpretação dos Sonhos (Die Traumdeutung). O livro levou dois anos (1898 e 1899) para ser escrito e nele Freud edificou os principais fundamentos da teoria psicanalítica, constituindo-se como o ponto de apoio para todo o desenvolvimento posterior da sua obra. Para Freud, a essência do sonho é a realização de um desejo infantil reprimido. E foi a partir desse princípio que ele elaborou as bases do método psicanalítico. Antes de Freud, os sonhos eram considerados apenas símbolos, analisados como se fossem premonições ou manifestações divinas. Freud, através da análise dos sonhos, mostrou a existência do inconsciente e transformou algo tido pela ciência como o lixo do pensamento, no caso os sonhos, num instrumento revelador da personalidade humana. Os sonhos mostram uma clara preferência pelas impressões dos dias imediatamente anteriores. Têm à sua disposição as impressões mais primitivas da nossa infância e até fazem surgir detalhes desse período de nossa vida que, mais uma vez, parecem-nos triviais e que, no nosso estado de vigília, acreditamos terem caído no esquecimento há muito tempo.O sonho é justamente o fenómeno da vida psíquica normal em que os processos inconscientes da mente são revelados de forma bastante clara e acessível ao estudo. Na concepção freudiana, o sonho é um produto da actividade do Inconsciente e que tem sempre um sentido intencional, a saber: a realização ou a tentativa de realização - mais ou menos dissimulada, de uma tendência reprimida. Assim, os sonhos revelam a verdadeira natureza do homem, embora não toda a sua natureza, e constituem um meio de tornar o interior oculto da mente acessível ao nosso conhecimento. Despertos, os nossos actos, ideias ou sentimentos arranjam-se segundo as linhas de força que, ao dormir, emergirão como um episódio onírico. A nossa identidade, com seus “Eus” em diálogo ou disputa, é composta de enredos que se apreciam melhor nos sonhos. As personagens de tais enredos povoam também a nossa realidade, esgueirando-se entre os objectos do dia a dia, encarnando-se num amigo, numa pessoa que nos desperta a paixão, ou em nós próprios.

Assim sendo, a interpretação dos sonhos desvela, sobretudo, os conteúdos mentais, pensamentos, dados e experiências que foram reprimidos ou recalcadas, excluídos da consciência pelas actividades de defesa do ego e superego e enviadas para o inconsciente. A parte do id cujo acesso à consciência foi impedido, é exactamente a que se encontra envolvida na origem das neuroses. Portanto, o interesse de Freud pelos sonhos teve origem no facto de estes constituírem processos normais, com os quais todos estão familiarizados, mas que exemplificam processos actuantes na formação dos sintomas neuróticos

Como existe uma forte tendência a se esquecer um sonho, por obra da resistência, e quase todos assim se perdem, a função do analista é também de recordação. Ele tem a função de manter o sonho à tona por um tempo mais longo do que espontaneamente se daria e por acompanhar o seu movimento de disseminação e nova concentração, e não é uma tarefa fácil, pois em nós também operam resistências.

As emoções profundas da vida de vigília, as questões e os problemas pelos quais difundimos a nossa principal energia mental voluntária, não são os que costumam apresentar-se de imediato à consciência onírica. No que diz respeito ao passado imediato, são basicamente as impressões corriqueiras, casuais e `esquecidas’ da vida quotidiana que reaparecem em nossos sonhos. As actividades psíquicas mais intensamente despertas são as que dormem mais profundamente. Isso chama-nos a atenção para o facto de os afectos nos sonhos não poderem ser julgados da mesma forma que o restante de seu conteúdo; e confrontamos-nos com o problema de determinar que parte dos processos psíquicos que ocorrem nos sonhos deve ser tomada como real, isto é, que parte tem o direito de figurar entre os processos psíquicos da vida de vigília.

Existem quatro tipos de fontes de sonho: 1-Excitações sensoriais externas (objectivas): todo o ruído indistintamente percebido provoca imagens oníricas correspondentes (ex.: trovoada, cantar de um galo, etc.…); sensações de frio, calor, etc.…(ex.: vontade de urinar, partes do corpo descobertas, etc..).2-Excitações sensoriais internas (subjectivas) dos órgãos dos sentidos: excitações subjectivas da retina, alucinações ou fenómenos visuais imaginativos. 3-Estímulos somáticos internos (orgânicos): distúrbios dos órgãos internos (ex.: causa sonhos de angústia)4-Fontes psíquicas de estimulação: material importante para chegar no inconsciente, necessário para o tratamento psicanalítico. Existem diversas causas para o nosso esquecimento dos sonhos. Geralmente esquecemos o que ocorre somente uma vez. Temos dificuldade em lembrar o que é desordenado e confuso. Não damos importância significativa aos nossos sonhos. Consideramos o sonho algo enigmático e inexplicado.