sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Interpretação dos Sonhos

“O sonho é a estrada real que conduz ao inconsciente”, escreveu Freud na sua obra-prima A Interpretação dos Sonhos (Die Traumdeutung). O livro levou dois anos (1898 e 1899) para ser escrito e nele Freud edificou os principais fundamentos da teoria psicanalítica, constituindo-se como o ponto de apoio para todo o desenvolvimento posterior da sua obra. Para Freud, a essência do sonho é a realização de um desejo infantil reprimido. E foi a partir desse princípio que ele elaborou as bases do método psicanalítico. Antes de Freud, os sonhos eram considerados apenas símbolos, analisados como se fossem premonições ou manifestações divinas. Freud, através da análise dos sonhos, mostrou a existência do inconsciente e transformou algo tido pela ciência como o lixo do pensamento, no caso os sonhos, num instrumento revelador da personalidade humana. Os sonhos mostram uma clara preferência pelas impressões dos dias imediatamente anteriores. Têm à sua disposição as impressões mais primitivas da nossa infância e até fazem surgir detalhes desse período de nossa vida que, mais uma vez, parecem-nos triviais e que, no nosso estado de vigília, acreditamos terem caído no esquecimento há muito tempo.O sonho é justamente o fenómeno da vida psíquica normal em que os processos inconscientes da mente são revelados de forma bastante clara e acessível ao estudo. Na concepção freudiana, o sonho é um produto da actividade do Inconsciente e que tem sempre um sentido intencional, a saber: a realização ou a tentativa de realização - mais ou menos dissimulada, de uma tendência reprimida. Assim, os sonhos revelam a verdadeira natureza do homem, embora não toda a sua natureza, e constituem um meio de tornar o interior oculto da mente acessível ao nosso conhecimento. Despertos, os nossos actos, ideias ou sentimentos arranjam-se segundo as linhas de força que, ao dormir, emergirão como um episódio onírico. A nossa identidade, com seus “Eus” em diálogo ou disputa, é composta de enredos que se apreciam melhor nos sonhos. As personagens de tais enredos povoam também a nossa realidade, esgueirando-se entre os objectos do dia a dia, encarnando-se num amigo, numa pessoa que nos desperta a paixão, ou em nós próprios.

Assim sendo, a interpretação dos sonhos desvela, sobretudo, os conteúdos mentais, pensamentos, dados e experiências que foram reprimidos ou recalcadas, excluídos da consciência pelas actividades de defesa do ego e superego e enviadas para o inconsciente. A parte do id cujo acesso à consciência foi impedido, é exactamente a que se encontra envolvida na origem das neuroses. Portanto, o interesse de Freud pelos sonhos teve origem no facto de estes constituírem processos normais, com os quais todos estão familiarizados, mas que exemplificam processos actuantes na formação dos sintomas neuróticos

Como existe uma forte tendência a se esquecer um sonho, por obra da resistência, e quase todos assim se perdem, a função do analista é também de recordação. Ele tem a função de manter o sonho à tona por um tempo mais longo do que espontaneamente se daria e por acompanhar o seu movimento de disseminação e nova concentração, e não é uma tarefa fácil, pois em nós também operam resistências.

As emoções profundas da vida de vigília, as questões e os problemas pelos quais difundimos a nossa principal energia mental voluntária, não são os que costumam apresentar-se de imediato à consciência onírica. No que diz respeito ao passado imediato, são basicamente as impressões corriqueiras, casuais e `esquecidas’ da vida quotidiana que reaparecem em nossos sonhos. As actividades psíquicas mais intensamente despertas são as que dormem mais profundamente. Isso chama-nos a atenção para o facto de os afectos nos sonhos não poderem ser julgados da mesma forma que o restante de seu conteúdo; e confrontamos-nos com o problema de determinar que parte dos processos psíquicos que ocorrem nos sonhos deve ser tomada como real, isto é, que parte tem o direito de figurar entre os processos psíquicos da vida de vigília.

Existem quatro tipos de fontes de sonho: 1-Excitações sensoriais externas (objectivas): todo o ruído indistintamente percebido provoca imagens oníricas correspondentes (ex.: trovoada, cantar de um galo, etc.…); sensações de frio, calor, etc.…(ex.: vontade de urinar, partes do corpo descobertas, etc..).2-Excitações sensoriais internas (subjectivas) dos órgãos dos sentidos: excitações subjectivas da retina, alucinações ou fenómenos visuais imaginativos. 3-Estímulos somáticos internos (orgânicos): distúrbios dos órgãos internos (ex.: causa sonhos de angústia)4-Fontes psíquicas de estimulação: material importante para chegar no inconsciente, necessário para o tratamento psicanalítico. Existem diversas causas para o nosso esquecimento dos sonhos. Geralmente esquecemos o que ocorre somente uma vez. Temos dificuldade em lembrar o que é desordenado e confuso. Não damos importância significativa aos nossos sonhos. Consideramos o sonho algo enigmático e inexplicado.

1 comentário:

Adriana disse...

Olá, está boa?
nem sabe o jeito que o seu blog deu para eu fazer um trabalho para psicologia...
nós pedimos ao professor, para fazer um trabalho individual e não um teste...
eu fiz sobre Freud.
Obrigada, pela informação que tinha disponivel..
Beijinhos,
Adriana Gonçalves